sábado, 25 de julho de 2020

Era de ouro dos jogos de luta: A rivalidade entre Capcom e SNK

Por: Ronald Junior

Era de ouro dos jogos de luta: A rivalidade entre Capcom e SNK

No período dourado dos jogos de luta, Capcom e SNK foram o grande destaque com uma galeria vastas de jogos incríveis que são até hoje referências no gênero, e também pela rivalidade histórica que rendeu provocações, acusações de plágio e até uma série de crossovers.

Nesse artigo, iremos desbravar a relação entre essas duas empresas que ajudaram a moldar as pelejas eletrônicas.

No final dos anos 80 e início dos anos 90, a Capcom já caia nas graças do público com grandes sucessos como Mega Man, Ghosts ‘n Goblins e Final Fight. Já a SNK revolucionava os arcades e os consoles com o Neo Geo MVS e AES.

A explosão dos jogos de luta       

Em 1991, a Capcom apresentou para o mundo o aclamado Street Fighter II: World Warriors, o responsável por apresentar os jogos de luta para o grande público e de criar o grande surto dos jogos do gênero.

A partir de SF II, todas as desenvolvedoras queriam ter seu jogo de luta para abocanhar uma parcela de jogadores. A primeira a entrar no embalo foi a SNK com Fatal Fury: King of Fighters, mas vale ressaltar que Fatal Fury foi criado por Takashi Nishiyama, criador do primeiro Street Fighter, aquele jogo medonho de 1987. Nishiyama planejou Fatal Fury como uma continuação espiritual do primeiro SF, e com maior liberdade na SNK, Nishiyama pode dar mais atenção a história e criar uma verdadeira aventura, isso acabou virando uma marca registrada da SNK em seus jogos de luta, que em comparação com os concorrentes, apresentava uma história bem mais densa e divertida.

Pela data de lançamento, Fatal Fury parecia estar ainda em produção quando SFII foi lançado. Mesmo com suas notórias diferenças, Fatal Fury foi acusado de ser uma cópia, assim como outros diversos jogos lançados na época.

 Art of Fighting: O Street Fighter da SNK

Em 1992, a SNk lança Art of Fighting, uma prequela de Fatal Fury. O que logo chamou a atenção de todos foram suas notáveis semelhanças com SFII. Eu sei que muitas pessoas afirmam que AoF não é uma cópia do jogo da Capcom, mas não podemos negar que em vários aspectos, AoF se assemelha muito a SF, como o próprio Ryo, que parece ser uma fusão de Ryu e Ken, e até seu nome se assemelha muito ao de Ryu, também temos uma história que conta com dois amigos e companheiros de treino que possuem jogabilidade semelhante, sendo um deles um japonês e outro um estrangeiro vindo de uma família rica, e sem contar John Crawley e sua semelhança com Guile, até mesmo os cenários dos dois são parecidos.

Mesmo com tudo isso, AoF foi um jogo importantíssimo e inovador. Ele foi responsável por introduzir a mecânica de carregamento de energia, conceito que foi aproveitado no futuro grande sucesso da SNK que irei falar logo, e quase obrigatório em jogos de anime. AoF também foi responsável pela introdução do famoso “Super Combo”, mecânica que inclusive foi abraçada pelo próprio SF, que chega a ganhar o creditado pela criação da mecânica.

As provocações da Capcom

Mesmo AoF tendo sua originalidade, a Capcom não perdoou as semelhanças da nova franquia da SNK com a sua, então deu-se início a onda de provocações. A primeira cutucada da Capcom na SNK foi a famosa artwork onde Sagat segura um homem com kimono laranja e uma camisa preta por baixo, semelhante à de Ryo, e com um penteado rabo de cavalo semelhante ao de Robert.

Artwork de Street Fighter II

Esse tal homem que Sagat espancou serviu de base para criação de Dan Hibiki, a maior piada que a Capcom já fez a SNK. O personagem foi criado com o simples intuído de debocha da concorrente, até seus golpes são parodias dos golpes de Ryo e Robert. Dan também é o personagem que possui mais provocações na franquia. Em Street Fighter Alpha, jogo qual ele foi introduzido, ele é o único que pode realizar mais de uma provocação durante o round, e também é o único personagem que possui um especial somente com provocações.

Dan foi protagonista de inúmeras provocações a SNK, tanto que vou deixar o resto de fora para não tomar muito espaço.


The King of Fighters: Um rival à altura

A SNK planejava lançar um beat 'em up com personagens de Fatal Fury e AoF que teria o nome de “Survivor”, mas os desenvolvedores decidiram trocar o gênero para luta. Então em 1994, o mundo presenciava a criação de The King of Fighters 94, o primeiro capitulo de umas das franquias mais importantes dos jogos de luta e eterno rival de SF.

The King of Fighters 94 não veio só para ser mais um jogo de luta no mercado, além de contar com personagens de Fatal Fury e AoF, o game também trazia figuras de jogos antigos da SNK como Psycho Soldier e Ikari Warrios e ainda apresentou mais alguns personagens novos jogáveis.

O grande diferencial de KOF era que todos os personagens se dividiam em equipes, esse sistema fez com que a franquia ganhasse seu lugar de destaque no mercado.

O crossover dos sonhos

A franquia KOF não parava de crescer, a cada novo jogo lançado a franquia ia se superando, apresentando possibilidade de criar equipes customizadas, refinamento de mecânica, set de mecânicas alternativas e ainda apresentava uma história espetacular.

Com isso, a franquia foi conquistando fãs devotos pelo mundo inteiro, e isso acabou gerando uma rivalidade entre os fãs KOF e de SF. Era bem comum ouvirmos discussões de qual franquia era melhor. Alguns falavam que KOF era melhor pelo seu esquema de trios e história bem mais densa e elaborada, já outros, afirmavam que SF era superior pela sua jogabilidade mais cadenciada e competitiva.

 Em 1998, a revista Arcadia trazia artigos sobre The King of Fighters 98 e Street Fighter Alpha 3, jogos que foram lançados no mesmo ano. A revista trazia em sua capa a citação “Kof vs SF”. Logo os fãs foram a loucura imaginando que existia um jogo onde os personagens das duas franquias se encontrassem.

Isso acabou ganhando grandes proporções, chegando aos ouvidos de Takashi Nishiyama, que na época, ainda trabalhava na SNK. Ele entrou em contato com Yokishi Okamoto, seu amigo pessoal que na época trabalhava na Capcom (Okamoto foi responsável por Final Fight e Street Fighter II). Nishiyama o questionou sobre uma possível colaboração entre as duas empresas, e Okamoto abraçou a ideia e levou para os seus superiores.

Surpreendentemente a ideia foi aprovada pelos engravatados das duas empresas, então foi criado um contrato que permitia que ambas as empresas pudessem produzir 2 jogos utilizando os personagens da outra.

SNK vs Cacpom: Match of the Milleniunn

O primeiro jogo dessa parceria foi SNK vs Capcom: Match of the Millennin, produzido pela SNK. Diferente do que muitos esperavam, Match of the Millenniun não foi lançado para os arcade, mas sim para o Neo Geo Pocket, o portátil da SNK que teve uma vida sofrida e curta.

Match of Milleniunn não é um jogo ruim, ele só sofre com as limitações do portátil, e dentro dessas limitações o game se saiu muito bem. Ele possui uma jogabilidade divertida e muito conteúdo extra. Ele mistura algumas mecânicas de KOF e SF e oferece um prato cheio para os fãs das franquias de ambas as empresas.

Infelizmente, Match of the Millenniun oferece uma lista de personagens composta praticamente por SF e KOF, ambas as empresas possuem um catalogo muito vasto de franquias, que poderiam ser melhor utilizadas.

Capcom vs SNK: Millennium Fight 2000

Diferente da SNk, a Capcom procurou trazer uma experiencia grandiosa e inovadora, utilizando o melhor das duas corporações. Além de misturar mecânicas de KOF e SF, Capcom vs SNK: Millennium Fight 2000 inovou com seu novo modelo de criação de equipe. O sistema “Ratio”

O Ratio é um número que representa a força de cada personagem, que vai de 1 a 3. A sua equipe precisa ser montada com um total 4 de Ratio, ou seja, você pode montar equipes com 2, 3 e até 4 personagens.O problema desse sistema é que ele acaba te impondo limitações na hora de montar sua equipe, você não pode por, por exemplo, Sagat e Kim na mesma equipe pois Sagat possui Ratio 3 e Kim Ratio 2. Para jogo que reúne diversas figuras de jogos diferentes, impor esse tipo de limitação, acaba desanimando um pouco.

Assim com Match of the Millennium, Millennium Fight 2000 tem sua lista de personagens dominada por personagens de SF e KOF, tendo pouquíssimos personagens de outras franquias.

Millennium Fight 2000 não ficou preso só nos arcades. Uns meses depois foi lançado para Dreamcast e no ano seguinte para ps1 com o nome de Capcom vs SNK: Millennium Fight 2000 PRO. Essa versão trazia mais personagens, versões alternativas de outros e um modo de jogo onde todos os personagens tem o ratio 2, dando maior liberdade para escolha.

Capcom vs SNK 2: Mark of the Millennium 2001

No ano seguinte, a Capcom revelou ao mundo aquele que poderia até receber o nome de melhor jogo de luta de todos os tempos. Recolhendo feedback dos jogadores, a Capcom botou a mão na massa e crio uma das maiores obras de arte dos jogos de luta, Capcom vs SNK 2: Mark of the Millenium 2001.

Diferente da mistura tímida de mecânicas dos seus antecessores, Mark of the Millennium vai a mais a fundo e traz várias mecânicas de diversos jogos como just defence, parry, alpha counter, rage gaunge e diversas outras. E tudo isso separado 6 sets de mecânica.

Em bora ainda sofra com uma lista de personagens composta em sua maioria por personagens de SF e KOF, Mark of Millennium conta com mais personagens de outros jogos como Garou: Mark of the Wolves, Last Blade, Rival School e Final Fight.

Mark of Millennium foi destaque também no cenário competitivo, ficando anos como um dos principais jogos da Evolution. Alguns jogadores que se destacaram foram Daigo Umehara, Bas, Combofiend, Justin Wong e Jhon Choy.

A ascensão da Capcom e o declínio da SNK


Enquanto a Capcom vivia um período prospero com jogos como Resident Evil e Devil May Cry estourando no mercado, a SNK ia a falência graças a uma série de decisões ruins, a SNK até lançou uma série de jogos de card games intitulada SNK vs Capcom: Card Fighters Clash (fora do contato dos jogos de lutapara seu portátil, mas ele não conseguiu sobreviver na luta contra o todo poderoso Game Boy. Card Fighters Clash chegou até ganhar uma continuação para Nintendo DS que acabou não agradando muito ao público.

Mesmo com o grande sucesso de Mark of the Millennium 2001, a SNK não pode ver nem a cor do dinheiro, já que a responsável pela produção de cada game ficava com 100% do lucro.

Então em novembro de 2001, a SNK declara o encerramento das atividades. Em agosto do mesmo ano, Kawasaki, fundador da SNK, crio uma nova empresa chamada Playmore. Com a Playmore, Kawasaki comprou boa parte das propriedades intelectuais da SNK e contratou alguns ex-funcionários, em uma tentativa de fazer a SNK ressurgir das cinzas.

SVC CHAOS: Snk vs Capcom

Em 2003, no que parecia ser uma tentativa de cumprir com o contrato de dois jogos de crossover, a Playmore lança SVC Chaos: Snk vs Capcom. Embora o game tenha sua parcela de fãs, ele traz gráficos datados, trilha sonora nada marcante e escassez de efeitos visuais.

SVC Chaos não oferece a variedade de mecânicas que seus antecessores apresentaram. Ele traz um sistema de barra de super de três níveis, e ao alcançar o terceiro nível, o personagem entra no “Maximum mode”, algo semelhante a mecânica de The King of Fighters 2002, que lê permite cancelar alguns golpes em outros, mas em SVC Chaos você ainda pode usar super de maneira ilimitada enquanto a barra esvazia.

SVC Chaos foi produzido com base naquela que já foi sinônimo de poder, mas que na época já estava obsoleta, a placa de arcade Neo Geo MVS. Infelizmente, esse era o reflexo dos tempos sóbrios da SNK, onde a empresa lutava para se reestruturar.

Além dos arcades, SVC Chaos ganhou versões para PS2 e Xbox.

Caminhos distintos

Atualmente, a Capcom e a SNK vivem em realidades distintas. A Capcom vive um dos seus melhores momentos com diversos lançamentos e grandes sucessos de venda. Já a SNK, foi comprada por um grupo chinês chamado Ledo Millenium e busca reconquistar seu prestigio.

A clássica rivalidade entre as duas empresas já não continua mais mesma, porém ainda vive no coração de cada fã que vivenciou o período dourado dos jogos de luta.

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