sábado, 13 de junho de 2020

Takashi Nishiyama: O pai dos jogos de luta


Na grande indústria dos vídeo games existem diversas figuras importantíssimas, mas que não são muito de mostra a cara para o público, uma delas é Takashi Nishiyama. Ele é, sem duvidas, uma das pessoas que mais contribuiu para os jogos de luta. Nishiyama tem em seu currículo títulos como Street Fighter, Fatal Fury King of Fighters.


O início de sua carreira

Nishiyama não tinha pretensão de trabalhar com jogos eletrônicos, ele almejava ser um jornalista, mas tudo mudou quando Nishiyama conseguiu um emprego de meio período na Irem Coporation (Atual Irem Software Egineering). Uma empresa fundada por Kenso Tsujimoto, que anos depois fundou a Capcom. Um certo dia, Nishiyama entregou um documento conceitual de um jogo para seu supervisor. Ele adorou e elogiou muito o seu trabalho, e ainda o aconselhou a se dedicar a criação de jogos. Seguindo o conselho de seu supervisor, Nishiyama se dedicou a aprender mais sobre esse mercado que ainda estava engatinhando.

O seu primeiro trabalho foi Uniwar S lançado em 1980, criado na mesma placa de arcade do clássico Galaxian da Nanco. Uniwar S acabou não fazendo tanto sucesso por não oferecer nenhuma novidade para o diferenciar dos inúmeros jogos de nave, que eram febre na época.

Uniwar S


Seu próximo projeto foi Moon Patrol lançado 1982. Moon Patrol foi um dos responsáveis por introduzir a “rolagem parallax” nos jogos. A rolagem parallax é uma técnica gráfica, onde a imagem de fundo se move de maneira mais lenta que a imagem de primeiro plano, dando uma impressão de profundidade. Moon Patrol obteve um grande sucesso, principalmente no ocidente, onde foi publicado pela Willians nos arcades e ganhou diversos portes para consoles.

Moon Patrol

Em 1984, é lançado Kung-fu Master (Spartan X no Japão), um dos projetos mais influentes de Nishiyama. Kung-fu Master detêm o título de pai dos Beat and Up e serviu como base um para um outro jogo marcante na em sua carreira. Em Kung-Fu Master você controla Thomas em sua jornada em busca de sua amada Silvia no Templo do Diabo. O templo possui 5 andares e cada um deles é representado por uma fase. O percurso das fases é repleto de inimigos, e cada uma delas possui um chefe. Kung-fu Master foi um sucesso, e ganhou diverso ports, sendo o mais famoso o de NES.

Kung-Fu Master


Com o sucesso de Kung-Fu Master, Nishiyama foi chamado para trabalhar na Capcom. Seus primeiros projetos la foram Section Z em 1985 e Legendary Wings em 1986.



Section Z

Legendary Wings


O nascimento de Street Fighter

Nishiyama pretendia fazer um espece de continuação espiritual para Kung-Fu Master, mas com uma história mais densa e com foco no combate 1 contra 1. Trabalhando junto com seu amigo Hiroshy Matsumoto, Nishiyama estava preste a criar a franquia mais icônica dos jogos de luta. Em 30 de agosto de 1987, é lançado Street Fighter.

O primeiro capitulo da aventura de Ryu e companhia não foi bem recebido pelo publico, mas ele já trazia mecânicas inovadoras para o gênero, como botões de ataque com três níveis de força e golpes especiais. Os únicos personagens jogáveis são Ryu (player 1) e Ken (player 2), toda a lista de movimento dos dois são idênticas, sendo a aparência a única diferença entre eles. O game ainda conta com a presença de Bird, Gen, Adon, Eagle e Sagat (chefe final), que tempos depois voltaram a aparecer em outros jogos da franquia e em crossovers.



Nishiyama se inspirou no canhão de onda “hadouho” do anime “Space Batlleship Yamato” para criar o icônico golpe “hadouken”. Segundo Nishiyama, o “tatsumaki senpuu kyaku” e “shoryuken” são versões exageradas de golpes de Karatê.

Já se perguntaram o porquê Ryu tem esse nome? O primeiro símbolo chinês usado para soletrar “Takashi” também pode ser pronunciado como “Ryu”.

Um dos principais objetivos de Nishiyama com Street Fighter era de contar uma história como as dos filmes de artes marciais da época, mas no final das contas, a história acabou não ficando lá essas coisas. Pelo baixo rendimento, a franquia acabou ficando na geladeira até 1991. Depois de Street Fighter, Nishiyama ainda trabalhou como produtor do primeiro Mega Man junto com Kenji Inafume.

Tempos gloriosos de SNK


Depois desentendimentos na Capcom, Nishiyama migrou para SNK, onde ajudou a criar a placa de arcade Neo Geo MVS. Na época, cada game de arcade tinha a sua máquina própria e isso tornava a troca de jogos mais cara, já que pra isso, o dono do estabelecimento teria que pagar por outra máquina. A ideia de Nishiyama era criar uma placa de arcade que funcionasse como um console, a base de cartuchos. E com isso nasceu a inovadora placa Neo Geo MVS.

Arcade Neo Geo MVS


Com total liberdade na SNK, Nishiyama decidiu criar uma continuação espiritual de Street Fighter (isso antes do lançamento de Street Fighter II). Dessa vez com uma história bem mais elaborada. Então em novembro de 1991 foi lançado Fatal Fury: King of Fighters, um dos games mais populares da história da SNK e um dos protagonistas da lendária rivalidade entre Capcom e SNK.
Na época, algumas pessoas falavam que Fatal Fury era só uma cópia de Street Fighter, mas não sabiam que as duas franquias foram criadas pela mesma pessoa.


A franquia Fatal Fury também ganhou dois filmes animados, são eles "Fatal Fury - The Motion Picture" e "Fatal Fury 2: The New Battle". Nishiyama também trabalhou como produtor em The King of Fighters 94, 97, 98 e 99, Metal Slug 3, SNK vs Capcom: The Match of the Millennium e em mais alguns jogos da franquia Fatal Fury.

Um novo começo


Em março de 2000, com a SNK passando por problemas internos e financeiros, Nishiyama decidiu se demitir e  iniciou sua própria desenvolvedora, a Sekiac, que contava também com alguns ex-funcionários da SNK. Mais tarde, a Sekiac teve 10% de suas ações compradas pela SEGA, 13% comprado pela Sony Computer Entertainmet e 51% comprado pela Sammy (que mais tarde se fundiu a SEGA), e assim a Sekiac trocou de nome para Dimps, que significa “Digital Multi-Platforms” que em português significa Multiplataformas digitais.




A Dimps tem trabalhos com Bandai Nanco, SEGA e Squar Enix. Com isso, nascendo jogos como Sonic Advanced de Game Boy Advanced, Dragon Ball Z Budokai, Xenoverse e diversos outros.

Um certo dia, Kenji Inafume deu a ideia de criar um novo Street Fighter, mesmo em um momento onde os jogos de luta 2D não tinham mais tanta relevância. Os executivos da Capcom acreditavam que não tinham como montar uma boa equipe interna para desenvolver um projeto desse tipo, então Inafume recomendou que o game fosse desenvolvido pela Dimps. A Capcom abraçou a ideia, e em junho de 2008 foi lançado nos arcades japoneses Street Fighter IV. Depois de 9 anos, a franquia retornou, dessa vez com o seu criador como produto executivo.

Street Fighter IV


Street Fighter IV foi um sucesso, ele foi responsável por resgatar o prestigio dos jogos de luta 2D mostrando que o gênero ainda tem muita lenha pra queimar. Pouco tempo depois, o novo capitulo de Ryu e companhia ganhou versões para PS3, Xbox 360 e PC, sem contar as diversas atualizações. O sucesso de Street Fighter IV serviu como incentivo para que a franquia Mortal Kombat voltasse as suas origens, ressuscitando a clássica rivalidade entre as duas franquias. A Dimps ainda trabalhou em Street Fighter x Tekken, Street Fighter V e Soul Calibur 6, dessa vez sem a participação de Nishiyama

Sem quere aparecer, Nishiyama fez muito pela indústria dos jogos, em especial a dos jogos de luta, estando envolvido na criação de seus principais alicerces e também por traze-los de volta aos holofotes após um período onde os jogos do gênero já não tinha mais peso.

Esse é o primeiro de muitos artigos que nós iremos fazer sobre pessoais importantes da indústria dos games, mas se você ainda quer mais conteúdo sobre games, então aproveita e confira nossos outros trabalhos.

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